“A verdade por trás do preço do ouro”: Greenpeace e lideranças dos povos Munduruku, Xipaia e Kayapó em turnê pela França, Itália, Holanda e Bélgica para exigir maior responsabilidade na cadeia global do ouro brasileiro
12 de junho de 2026 – Desde o dia 6 de junho, representantes indígenas da Amazônia, em parceria com o Greenpeace, estão na Europa. Eles realizam uma série de encontros com políticos, membros da sociedade civil, jornalistas e outros influentes da União Europeia. O foco das discussões é evidenciar os impactos devastadores ocasionados pela expansão do garimpo, incluindo desmatamento, contaminação por mercúrio, conflitos e ameaças às comunidades locais. Além disso, buscam denunciar como o ouro ilegal extraído da Amazônia entra no mercado global sem que haja um controle adequado por parte dos países envolvidos nas operações.
Com a denominação “O Verdadeiro Custo do Ouro”, a missão se estende até 19 de junho e abrange as nações da França, Holanda, Bélgica e Itália. Os representantes indígenas que acompanham o Greenpeace nesta jornada são:
- Alessandra Korap Munduruku, reconhecida mundialmente por sua luta contra atividades predatórias na Amazônia e laureada com o Goldman Environmental Prize;
- Cacique Megaron Txucarramãe, um ícone da luta pelos direitos indígenas no Brasil;
- Beptuk Metuktire, um jovem líder Kayapó que integra a coordenação do Instituto Raoni;
- Cacica Juma Xipaia, líder da aldeia Kaarimã situada na TI Xipaia.
“Queremos respostas sobre para onde vai o ouro que é roubado de nossas terras. Precisamos saber quem está adquirindo esse metal precioso. Estamos sofrendo muito e é necessário que essas pessoas se conscientizem!”, afirma o cacique Megaron Txucarramãe.
Alessandra Korap Munduruku também expressou preocupação: “O leite materno que deveria garantir saúde aos nossos filhos está contaminado pelo mercúrio oriundo do garimpo. Essa é uma doença que está ceifando vidas em nosso povo!”
A intenção das lideranças indígenas é pressionar os tomadores de decisão europeus a assumirem maior responsabilidade nas cadeias globais do ouro brasileiro. Elas ressaltam a urgência de um controle mais rigoroso sobre a procedência do ouro comercializado internacionalmente e pedem apoio à proteção das florestas sob liderança indígena e de comunidades tradicionais.
Lavagem do ouro extraído ilegalmente na Amazônia
A iniciativa “O Verdadeiro Custo do Ouro” surge logo após a divulgação pelo Greenpeace Brasil da investigação intitulada “Lavagem de Ouro na Amazônia: Anatomia de uma Fraude”. O estudo revela as táticas utilizadas para “lavar” o ouro extraído ilegalmente da Amazônia e inseri-lo tanto no mercado nacional quanto no sistema financeiro global como um ativo considerado “limpo”.
Em 2024, um relatório anterior intitulado “Ouro Tóxico” já havia indicado que irregularidades no comércio internacional de ouro brasileiro apontavam que uma quantidade significativa desse metal extraído ilegalmente estava sendo legitimada no mercado global sem qualquer transparência ou responsabilidade.
Danicley de Aguiar, Coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, enfatiza: “Fortalecer as vozes das lideranças indígenas para que elas alcancem os principais centros decisórios internacionais é crucial para conectar o debate global à realidade vivida na Amazônia e aumentar a pressão por mecanismos que garantam maior transparência na produção e comercialização do ouro, além do respeito aos direitos dos povos originários.”
A ação não só denuncia os efeitos adversos enfrentados pelas populações tradicionais devido à invasão dos garimpos em Terras Indígenas e áreas protegidas, mas também busca destacar iniciativas lideradas pelos próprios povos indígenas na conservação das florestas e biodiversidade, sublinhando assim seu papel essencial no combate à crise climática mundial.
Imagens disponíveis para uso jornalístico podem ser baixadas aqui.
Sobre o Greenpeace Brasil
Desde 1992, o Greenpeace Brasil é uma organização ambientalista sem fins lucrativos dedicada à defesa do meio ambiente. Com mais de três décadas de atuação ao lado daqueles que almejam um mundo mais sustentável e justo, a organização tem se empenhado em denunciar ações governamentais e empresariais que promovem a destruição das florestas.
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