A Revolução Profissional de Ana Clis: O Impacto do Voluntariado no Greenpeace

Descubra a trajetória de Ana Clis Ferreira, uma ativista do Greenpeace Brasil que estabelece laços entre o movimento ambiental e as comunidades periféricas e os povos indígenas urbanos.

Ana Clis Ferreira atua na campanha de Florestas do Greenpeace Brasil. Sua jornada é caracterizada por um forte empenho em conectar o ativismo ambiental a grupos historicamente excluídos. Com apenas 27 anos, já possui uma história admirável, lutando por transformações que superam suas expectativas iniciais. Acompanhe a seguir a narrativa de Ana Clis!

Qual foi o início da sua relação com o Greenpeace?

A minha conexão com o Greenpeace surgiu de maneira inesperada. Em 2016, tornei-me doadora após conhecer uma captadora de recursos da organização. O entusiasmo dela me motivou profundamente. No ano seguinte, ao precisar interromper minha contribuição, recebi um convite para fazer parte do grupo de voluntariado da instituição. Aceitei prontamente.

No entanto, percebia um certo distanciamento entre as atividades que realizava como voluntária e a realidade das comunidades periféricas às quais pertencia. Morava distante e gastava quatro horas diárias em transporte público para chegar ao escritório do Greenpeace Brasil em São Paulo. Após dois anos, optei por me afastar, embora sempre mantivesse um vínculo com a organização.

Quando você retornou ao Greenpeace e quais foram as mudanças?

Um ano depois, voltei ao grupo de voluntários e fundei o projeto Raízes, focado na atuação em favelas e territórios indígenas urbanos. Nossa proposta consistia em aproximar essas comunidades das questões ambientais e levar suas lutas para dentro do ativismo ecológico.

Uma das ações desenvolvidas, que também incluía diálogos em escolas, foi o “baile climático” realizado em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, com apoio da equipe da campanha de Clima do Greenpeace Brasil. 

Nomeado Baile na Terra, o evento contou com a participação de mais de 150 pessoas. Além disso, promovemos várias atividades em espaços públicos educacionais pela cidade, buscando unir universos que frequentemente pareciam desconectados.

Após isso, você teve uma experiência marcante como voluntária: sobrevoar a Amazônia. Como foi essa vivência?

Cinco anos após iniciar meu trabalho como voluntária, recebi um convite para participar de um sobrevoo por Rondônia, na Amazônia. A visão da vasta floresta se contrastando com os focos de incêndio foi impactante.

Senti lágrimas escorrendo ao contemplar a devastação da floresta e me senti diminuta diante de um problema tão colossal. Contudo, essa experiência também me fez perceber que eu poderia ser parte da solução e que a verdadeira força reside na ação conjunta.

Logo depois dessa vivência, surgiu uma oportunidade para atuar como ativista na campanha de Florestas do Greenpeace Brasil. Meus colegas me encorajaram a me inscrever. Fui contratada e assim o que começou como voluntariado se transformou na minha carreira profissional.

Quais desafios você enfrentou no ativismo e quais lições aprendeu nessa jornada?

Durante minha trajetória como ativista, muitas vezes senti culpa por não dedicar mais tempo à minha família. Contudo, encontrei conforto quando meu pai passou a entender meu trabalho e minha mãe e avó expressaram orgulho ao dizer que meus passos percorrem lugares onde os delas nunca puderam chegar.

Meu impulso vem de um profundo senso de justiça, solidariedade comunitária e educação. Compreendo bem o que significa sentir-se invisível. Portanto, meu compromisso atual é ajudar pessoas e comunidades historicamente marginalizadas a conquistar visibilidade.

“Histórias Inspiradoras” (“Inspiring Stories”) é uma série global composta por vídeos e entrevistas com membros da equipe e voluntários do Greenpeace, unindo narrativas pessoais a reflexões sobre justiça socioambiental. As histórias ressaltam o poder dos movimentos populares. Aqueles que mudam o mundo não são super-heróis inatingíveis; são pessoas comuns cuja esperança ativa, resiliência e busca por transformação podem inspirar outros – promovendo mudanças significativas no planeta.

By Ação Verde

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