A importância das espécies migratórias na preservação dos oceanos sem fronteiras

A COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) concluiu suas atividades no domingo (29/03), trazendo avanços significativos para a preservação da biodiversidade marinha e das espécies que realizam migrações transfronteiriças.

Espécies migratórias, como tubarões, baleias e tartarugas marinhas, viajam longas distâncias anualmente. As baleias, por exemplo, podem percorrer entre 8.000 e 10.000 km em busca de áreas de reprodução e alimentação. Já alguns tubarões são capazes de nadar mais de 20.000 km, enquanto as tartarugas têm a capacidade de atravessar oceanos inteiros.

Esses animais não reconhecem fronteiras geográficas, transitando por águas nacionais e internacionais, o que liga diferentes ecossistemas. Essa interconexão é crucial para a sobrevivência desses seres; mudanças em suas rotas migratórias podem resultar em declínios populacionais. A CMS alerta que quase 50% das espécies migratórias enfrentam pressão significativa.

Dentre as principais ameaças identificadas, destacam-se:

  • Expansão das atividades industriais marinhas, como exploração de petróleo e gás e mineração em águas profundas;
  • Degradação dos habitats;
  • Poluição nos oceanos;

A proteção das rotas migratórias é fundamental para a conservação oceânica

Nesse cenário, o Brasil foi o anfitrião da COP15 da CMS, que se encerrou no domingo (29/03) com resultados significativos para a proteção das espécies migratórias.

Dentre os principais resultados da conferência, destaca-se a inclusão de mais de 40 novas espécies nos anexos da Convenção, aumentando o nível de proteção internacional para esses animais. Isso inclui espécies marinhas altamente migratórias, como tubarões oceânicos e raias-manta, que dependem de diversas áreas ao longo de seus trajetos migratórios.

A conferência também avançou nas estratégias para:

  • baleias e golfinhos;
  • tartarugas marinhas;
  • aves marinhas.

A principal meta é mitigar as ameaças durante todo o ciclo de vida dessas espécies.

No caso das tartarugas, é essencial proteger não apenas os locais de desova, mas também os corredores migratórios. Em relação às baleias e golfinhos, a incidência da poluição sonora, que impacta na comunicação e na navegação desses animais, ganhou destaque.

Tratado Global dos Oceanos: fundamental para a proteção do alto-mar

Os avanços obtidos na COP15 ressaltam a relevância do Tratado Global dos Oceanos (também conhecido como Acordo BBNJ), que estabelece mecanismos para:

  • a criação de áreas marinhas protegidas em alto-mar;
  • a avaliação dos impactos ambientais decorrentes de atividades industriais;
  • a promoção da cooperação internacional.

No presente momento, cerca de 64% do oceano está situado em águas profundas, mas menos de 1% dessas zonas está efetivamente protegido.

A falta de uma abordagem integrada resulta na fragmentação das rotas migratórias. O tratado oferece uma oportunidade para proteger não somente áreas isoladas, mas sim sistemas ecológicos interligados.

A próxima etapa é a implementação dos compromissos

A validade dos compromissos estabelecidos na COP15 e no Tratado Global dos Oceanos depende da sua transformação em políticas práticas.

Isto envolve:

  • a criação e gestão eficaz de áreas marinhas protegidas;
  • o uso de dados científicos sobre as rotas migratórias;
  • a realização de um planejamento espacial marinho participativo e transparente;
  • a adequada regulamentação das atividades industriais no mar.

A participação ativa das comunidades costeiras é vital. Isso inclui povos tradicionais, quilombolas e indígenas que possuem uma relação histórica com esses territórios e conhecimentos essenciais voltados à conservação.

A integração entre ciência, políticas públicas e saberes tradicionais será crucial para assegurar uma proteção efetiva e justa do oceano. O Brasil deve alinhar suas ações à lógica de conservação da biodiversidade fundamentada na conectividade dos ecossistemas, reconhecendo que a vida marinha não ocorre isoladamente. Assim como as espécies migratórias cruzam águas costeiras e profundas além dos territórios diversos, a governança deve ser integrada, articulando conservação com políticas públicas e o conhecimento daqueles que habitam essas regiões.

A eficácia dessa articulação será determinante para garantir que os compromissos assumidos se traduzam em ações capazes de sustentar a vida dinâmica no oceano.

Siga adiante assinando a petição Parem a Mineração em Águas Profundas, contribuindo assim para um futuro saudável da biodiversidade marinha nas áreas do alto-mar.

By Ação Verde

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