A crescente adoção de veículos elétricos, híbridos e a hidrogênio na China já demonstra efeitos positivos na saúde pública. Um estudo recente revelou que a diminuição da poluição do ar, resultante da popularização desses automóveis, preveniu aproximadamente 262 mil mortes prematuras no país, beneficiando direta e indiretamente mais de 250 mil cidadãos pela melhoria na qualidade do ar. No último ano, mais de metade dos automóveis novos comercializados no maior mercado automotivo mundial pertence à categoria dos chamados veículos de “nova energia”, um ritmo de crescimento considerado notável tanto para o setor quanto para as estatísticas de saúde pública.
O estudo utilizou modelagem de dados sobre poluição atmosférica e concluiu que a redução nas emissões provenientes dos escapamentos teve um impacto significativo na diminuição do risco de doenças como câncer de pulmão, derrames, problemas respiratórios e infartos. Os pesquisadores estimam que cerca de 262 mil vidas foram salvas graças a esses fatores, além de outras 75 mil mortes evitadas por causas diretamente ligadas à poluição do ar. Anualmente, aproximadamente 4 milhões de pessoas falecem globalmente devido a essas doenças, sendo cerca de 1 milhão somente na China. Entre os principais poluentes gerados por veículos movidos a combustíveis fósseis estão as partículas finas menores que 2,5 micrômetros (PM2,5), o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio.
No dia 13 de maio, a revista Nature Health publicou os resultados desse estudo que analisou dados coletados via satélite em 150 cidades chinesas. A pesquisa avaliou quanto da poluição foi eliminada pela crescente presença dos veículos de nova energia e fez uma comparação com um cenário hipotético onde toda a frota ainda utilizava combustíveis fósseis — uma análise relativamente simples considerando que essa era a realidade chinesa há apenas 15 anos. Os resultados indicaram uma diminuição de 23,8% na concentração das partículas PM2,5 e uma queda de 30% nos níveis de monóxido de carbono, resultando em uma estimativa total de cerca de 320 mil mortes evitadas em decorrência da poluição do ar.
Por outro lado, os pesquisadores notaram uma redução muito sutil nas emissões de óxido nitroso, considerada praticamente insignificante. Isso se deve ao fato de que a maior parte do transporte de mercadorias na China ainda requer caminhões movidos a diesel. As longas distâncias e a necessidade por grande capacidade nos transportes tornam a eletrificação desse setor mais desafiadora; no entanto, países como a Austrália têm investido em soluções para facilitar essa transição. Ao mesmo tempo, ao longo da última década, a China tem empreendido esforços bem-sucedidos para combater a poluição, culminando no fenômeno conhecido como “Azul de Pequim”, que se refere ao céu limpo e à nova qualidade do ar percebida na capital.
A publicação destaca como a China tem conseguido evitar cerca de 262 mil mortes por meio da expansão dos veículos elétricos.
