Pequenos guardiões alados protegem plantações contra insetos nocivos

A resposta está na natureza e na biodiversidade! Mais uma vez, agricultores encontraram uma maneira de proteger suas plantações sem o uso de venenos, mas sim com diferentes formas de vida. Dessa vez, esse controle biológico de pragas aconteceu nos Estados Unidos, nas plantações de cereja. As frutas eram atacadas por pequenos pássaros e alguns roedores que, além de comer as cerejas, deixam fezes nas plantações que podem transmitir doenças. A solução foi outro pássaro: um pequeno falcão.

Com cores lindas e listras pretas, além de ser uma beleza para os olhos, o pequeno falcão americano, afugenta possíveis “pragas” das plantações de cereja em Michigan, reduzindo perdas na colheita e o risco de transmissão de doenças a partir das frutas.

A ideia nasceu de um estudo realizado pela Universidade Estadual de Michigan, que revelou que incentivar o falcão-americano a nidificar em fazendas de cerejeiras mantém os roedores e os pequenos pássaros frugívoros longe dos pomares.

“Introduzir os falcões peneireiros em pomares não é uma medida cara e funciona muito bem”, disse Olivia Smith, autora principal do estudo e professora assistente de horticultura na Universidade Estadual de Michigan. “Para melhorar, as pessoas gostam muito de peneireiros, então é uma estratégia atraente.”

A hipótese de Smith e seus colegas era que, ao manter os pássaros frugívoros afastados, menos patógenos aviários chegariam às prateleiras dos supermercados. E eles estavam certos: os pomares protegidos por peneireiros apresentaram uma redução de 81% nos casos de danos às plantações, incluindo frutas faltantes e frutas com marcas de mordida, e uma redução de 66% nas fezes de pássaros nas árvores frutíferas.

“Notei uma diferença com a presença dos peneireiros-americanos, pairando sobre as plantações da primavera”, disse Brad Thatcher, um agricultor do estado de Washington que abriga peneireiros-americanos nas áreas de frutas e vegetais da Fazenda April Joy há mais de 13 anos, ao Inside Climate News. “Há muito pouco dano fecal causado por pequenos pássaros nessa época do ano em comparação com o outono.”

Os produtores de cereja e outras frutas enfrentam inúmeros problemas, desde mudanças climáticas extremas até a escassez de mão de obra. A presença de pássaros é um problema considerável nessa lista e causa prejuízos de cerca de US$ 85 milhões por ano em estados produtores como Michigan e Califórnia.

Os produtores tentam evitar a perda de frutos de diversas maneiras, incluindo repelentes químicos, tiros letais, armadilhas, redes penduradas nas árvores, táticas de espanto visual e sonora e até mesmo o desmatamento da área ao redor do pomar. Mas a solução é mais simples e veio da própria natureza.

Não só se constatou que os peneireiros eram mais eficazes em afastar as aves, como também os níveis detetáveis ​​de Campylobacter, o patógeno alimentar mais comum disseminado pelas fezes das aves, eram mais baixos nos ramos dos pomares com caixas-ninho para peneireiros (0,97% em comparação com cerca de 10%).

Nota do CicloVivo

O que muitas vezes chamamos de “pragas” são na verdade espécies que se reproduzem e vivem de forma desequilibrada e a causa desse desequilíbrio está justamente na ausência de biodiversidade. Em um ambiente onde todas as formas de vida têm seu espaço, cada espécie encontra seu alimento e também seus predadores e as interações são saudáveis. Em áreas de monocultura por exemplo, existe um redução drástica de biodiversidade e esse é um terreno fértil para que as “pragas” apareçam. Nas florestas e agroflorestas, esse fenômeno já é muito mais raro.

As espécies que consideramos pragas são mensageiros de um desequilíbrio ambiental. Reestabelecer esse equilíbrio, com a reintrodução de outras formas de vida é uma maneira mais eficaz e saudável de combater esse problema. O uso de venenos e outras formas de combater as “pragas” apenas torna o ambiente ainda mais desequilibrado, além ameaçar a saúde das pessoas que trabalham nesse local e as pessoas que vão consumir os produtos cultivados com agrotóxicos.

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By Ação Verde

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