Tudo o que você precisa saber sobre a dengue

O verão de 2026 começou com autoridades de saúde em alerta sobre a circulação da dengue e de outras arboviroses no Brasil, como chikungunya e Zika. As altas temperaturas e o aumento das chuvas criam condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal vetor dessas doenças, sobretudo em áreas urbanas.

O projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getúlio Vargas, estima que o Brasil poderá registrar até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue este ano. Entre 65% e 70% das infecções devem se concentrar na Região Sudeste, o que, caso se confirme, representará o segundo maior número de registros no país desde 2010.

Segundo a infectologista Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Prefeitura de São Roque, o aumento está diretamente ligado às condições climáticas. “O excesso de chuvas aumenta a quantidade de focos de reprodução e as temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do mosquito, o que resulta em maior circulação do vírus e mais casos”, afirma.

A médica explica que existem quatro sorotipos da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e que os sintomas iniciais tendem a ser semelhantes. “O que muda é a gravidade, principalmente em pessoas que já tiveram a doença por outro sorotipo”, diz. Nesses casos, aumenta a chance de complicações como sangramentos, queda de pressão e dor abdominal persistente.

Sintomas da dengue

Na prática, diferenciar a dengue de outras viroses comuns, como gripe ou Covid-19, nem sempre é simples. “Ela costuma provocar febre alta, dores intensas no corpo, dor de cabeça e mal-estar intenso, enquanto infecções respiratórias tendem a vir acompanhadas de tosse, coriza e dor de garganta”, explica. A orientação é buscar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce influencia diretamente a evolução do quadro.

Alguns sinais exigem atenção imediata, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência excessiva ou queda de pressão. “Esses sintomas indicam risco de agravamento e demandam avaliação rápida”, afirma. Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas ou imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações.

Outro alerta é contra a automedicação. “Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos”. A médica reforça ainda que a hidratação adequada também é fundamental durante o quadro, ajudando na recuperação e na redução de complicações. Mesmo após a melhora inicial, o acompanhamento segue sendo importante, já que casos aparentemente leves podem evoluir de forma inesperada. Avanços nos testes rápidos têm facilitado o diagnóstico nos primeiros dias da infecção, permitindo intervenções mais precoces.

Sinais na boca

Especialistas ainda alertam para manifestações da doença que vão além da febre alta e das dores no corpo. Entre elas, estão sinais na cavidade oral, ainda pouco divulgados e frequentemente confundidos com problemas bucais comuns, que podem surgir durante a infecção e tendem a se intensificar no período pós-dengue, quando a imunidade permanece comprometida.

Manifestações bucais, em alguns casos, podem ser fundamentais para o diagnóstico. Pacientes com dengue grave, antes conhecida como dengue hemorrágica, tendem a apresentar problemas como sangramento nas gengivas, boca seca e lesões como úlceras e hiperpigmentações (vermelhidão). Essas manifestações estão associadas à redução das plaquetas e ao aumento da permeabilidade vascular, características desse estágio da doença.

“Quem tem uma boa atenção à saúde bucal está mais apto a identificar essas alterações, que, especialmente se associadas a outros sintomas, podem indicar o início ou uma já evolução de um quadro mais grave”, explica o cirurgião-dentista e especialista em Saúde Coletiva da Neodent, João Piscinini.

Ao mesmo tempo, doenças como gengivite e periodontite aumentam as chances de intensificação do processo inflamatório e sobrecarga do sistema imunológico, representando um risco maior para pacientes que já enfrentam sintomas da dengue. Isso significa que, nestes casos, ter a saúde bucal em dia, com um bom acompanhamento de um dentista, se torna um cuidado ainda mais valioso.

Sintomas da dengue em crianças

A dengue em crianças de até cinco anos exige um olhar atento, pois o quadro clínico pode variar com mais frequência e o risco de letalidade é consideravelmente mais alto, chegando a ser três vezes superior ao observado na faixa etária de 10 a 14 anos, segundo pesquisa da Fiocruz.

Outro fator que preocupa muitos pais nesse cenário é a semelhança entre os sintomas da dengue e do resfriado comum. Porém, a pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Vivian Pereira, aponta que uma das diferenças entre a doença e um resfriado é que a dengue raramente apresenta sintomas respiratórios como coriza ou tosse.

“Dentre os sinais que os pais devem estar atentos está o estado de prostração, no qual a criança perde o interesse por brincadeiras, fica bastante sonolenta ou, no caso de bebês, apresenta uma irritabilidade difícil de ser acalmada. Outro sintoma mais característico da doença nos pequenos é o início súbito de uma febre alta, que geralmente oscila entre 39°C e 40°C”, explica a médica.

A doença em crianças, especialmente nas menores de cinco anos, é considerada mais perigosa. De acordo com Vivian, isso acontece devido a uma combinação de fatores biológicos e dificuldades no diagnóstico precoce.

“O corpo das crianças é composto por uma proporção maior de água e elas possuem uma reserva de líquidos menor do que os adultos. Isso faz com que a desidratação e o extravasamento de plasma, que ocorre em casos graves de dengue – ocasionando dificuldades respiratórias e sangramento –, aconteça de forma muito mais rápida”, comenta a pediatra.

Quais sintomas observar em crianças?

À medida que a doença progride, é comum o surgimento de dores musculares e articulares. Segundo a pediatra, como os pequenos nem sempre conseguem localizar a dor, eles podem manifestar esse desconforto através da recusa em andar e se movimentar.

“Outro sinal frequente é a falta de apetite, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Entre o segundo e o quinto dia de febre, também podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo, que às vezes coçam e podem ser confundidas com outras viroses exantemáticas (doenças infecciosas caracterizadas por erupções cutâneas)”, ressalta.

O ponto de maior atenção ocorre justamente quando a febre começa a ceder. Este período, que muitos pais interpretam como o início da melhora, é quando podem surgir os sinais de gravidade.

“Nesse momento, é necessário monitorar a presença de dor abdominal intensa, vômitos que não param e qualquer tipo de sangramento, seja no nariz ou nas gengivas. A hidratação rigorosa com á

By Ação Verde

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