Em uma das praias mais icônicas de Santa Marta, ativistas do Greenpeace criaram grandes mensagens visuais solicitando que as nações acelerem sua transição energética, afastando-se dos combustíveis fósseis de maneira justa e equitativa.
A manifestação também foi uma resposta aos conflitos e guerras impulsionados pelo uso de combustíveis fósseis.
Santa Marta, Colômbia, 27 de abril – Com o objetivo de chamar a atenção dos aproximadamente 60 países que participarão da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, ativistas do Greenpeace formaram frases enormes na areia da praia local. As mensagens incluíam “Renewables Power Peace” (As Energias Renováveis promovem a Paz) e “End Fossil Fuel” (Fim dos Combustíveis Fósseis), referindo-se aos atuais conflitos globais.
Diante da crise energética mundial exacerbada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, a ação do Greenpeace em Santa Marta destaca a necessidade de construir um “porto seguro” global fundamentado em energias renováveis e no abandono dos combustíveis fósseis.
O porta-voz do Greenpeace na região Austrália-Pacífico, Shiva Gounden, expressou: “Enquanto guerras ilegais e disputas políticas comprometem o fornecimento global de energia, a Conferência em Santa Marta representa um momento crucial nas discussões sobre transição energética. É uma chance para estabelecermos um caminho que nos liberte da dependência dos combustíveis fósseis e promova energias renováveis locais.”
Gounden acrescentou que as crises globais atuais demonstram que a transição energética não é apenas uma urgência climática, mas também um passo essencial rumo à paz e à segurança energética, assegurando um futuro melhor para todas as comunidades ao redor do mundo.
Além disso, a mobilização ressaltou que a Amazônia não deve se tornar uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás. A transição justa para longe dos combustíveis fósseis deve ser realizada com a participação ativa das pessoas dessa região.
A especialista em políticas climáticas do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo, enfatizou: “As discussões em Santa Marta devem contribuir para o desenvolvimento do ‘Mapa do Caminho para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis’, liderado pela Presidência da COP30. Este documento será fundamental para orientar os países sobre como avançar na transição para um sistema que protege tanto as pessoas quanto o meio ambiente, beneficiando especialmente as comunidades mais afetadas pela crise climática no Sul Global.”
- Imagens e gravações da manifestação estão acessíveis para uso da mídia no banco de imagens do Greenpeace.
Nota técnica sobre transição justa
A organização ambiental apresentou aos governos presentes em Santa Marta, assim como à Presidência da COP30, uma nota técnica com recomendações sobre como acelerar a transição energética. As sugestões incluem ações prioritárias até 2026 e orientações para a COP31, programada para novembro na Turquia.
Cárcamo explicou: “Para todos os países participantes, interromper imediatamente a expansão da produção de combustíveis fósseis é uma prioridade essencial para implementar essa transição. Além de ser urgente, ela precisa ser justa; isso implica garantir direitos humanos, preservar empregos, promover resiliência e acesso equitativo à energia. A forma como financiaremos essa mudança determinará se será rápida e equitativa. Para tanto, países desenvolvidos precisam oferecer financiamento adequado aos países em desenvolvimento.”
A nota técnica completa está disponível aqui.
Representantes do Greenpeace estarão acompanhando o evento e estão disponíveis para entrevistas.
Conferência em Santa Marta
A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, anunciada pelos governos da Colômbia e da Holanda durante a COP30, surge como um desdobramento da COP28. Durante essa última conferência, os países concordaram em promover uma “transição justa e ordenada”, mas até agora não houve avanços significativos nas discussões. O encontro visa complementar as COPs climáticas ao fortalecer colaborações entre nações já engajadas nessa transformação energética.
A Conferência contará com a presença de cerca de 60 governos da América Latina — incluindo o Brasil — bem como representantes da União Europeia, África e Pacífico.
Sobre o Greenpeace Brasil
A organização Greenpeace Brasil é uma entidade sem fins lucrativos dedicada à defesa ambiental desde 1992. Trabalhando junto àqueles que desejam um mundo mais verde e justo, há mais de três décadas atua denunciando ações governamentais e empresariais que ameaçam as florestas.
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