Greenpeace Brasil alerta que pressões do agronegócio sobre a Moratória da Soja e o Plano Clima, assim como cortes orçamentários para a área ambiental e ataques no Congresso Nacional podem reverter dado positivo de 2025
12 de fevereiro de 2026 – Foi divulgado pelo governo federal, nesta quinta-feira (12), que a taxa estimada de desmatamento na Amazônia para o período de 2025 é de 5.796 km², a menor em 11 anos. Apesar dessa boa notícia, há preocupações com o atual cenário de retrocesso ambiental no Congresso Nacional e os cortes orçamentários para a área.
De acordo com a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira, “Os dados indicam que o Brasil tem potencial para alcançar a menor taxa de desmatamento da série histórica, o que é um avanço importante e comemorável, mas ainda é preciso cautela. Estamos em ano eleitoral, com cortes no orçamento ambiental, sobretudo para o combate ao fogo; avanço de medidas que enfraquecem a proteção ambiental, como o PL da Devastação, as pressões contra a Moratória da Soja e a redução da responsabilidade do setor agropecuário no Plano Clima.”.
“Em um cenário de crise climática e florestas cada vez mais vulneráveis ao desmatamento e ao fogo, qualquer retrocesso pode comprometer rapidamente conquistas construídas a partir do trabalho árduo de anos”, completa Ferreira.
O Greenpeace Brasil também alerta para a importância do governo federal estabelecer salvaguardas na agenda antidesmatamento de forma permanente e institucionalizada, independentemente de ciclos ou disposições governamentais, e garantir a implementação de planos de ação robustos para períodos de maior vulnerabilidade climática.
Mapa do caminho para zerar o desmatamento doméstico
Ferreira ressalta algumas ações prioritárias que devem ser tomadas para manter a expectativa de diminuição do desmatamento na Amazônia.
“É fundamental avançar na destinação de terras públicas para conservação e uso sustentável, demarcar e homologar territórios indígenas, titular comunidades quilombolas. Além disso, também é preciso bloquear todos os caminhos utilizados pelos desmatadores, com ações estruturantes e medidas de longo prazo, tais como vedar crédito, regular efetivamente os fluxos financeiros que ainda beneficiam quem desmata, aumentar transparência de informações socioambientais e implementar mecanismos que promovam a rastreabilidade total de produtos agropecuários”, aponta Ferreira.
Imagens para uso da imprensa
Fotos e vídeos de áreas com desmatamento e fogo registrados na Amazônia pelo Greenpeace Brasil em 2025, disponíveis aqui.
