Eleições 2026: nova leva de infratores ambientais é escolhida no primeiro turno, revela Greenpeace Brasil

Um estudo revelou que 38 políticos eleitos têm registros de autuações pelo Ibama, a maioria relacionada a delitos como desmatamento e queimadas ilegais. Juntas, essas infrações totalizam mais de R$ 30,7 milhões em multas ambientais;

Mesmo com as infrações, 10 desses parlamentares conseguiram obter um montante superior a R$ 102,2 milhões em crédito rural entre os anos de 2013 e 2026.

São Paulo, 19 de outubro de 2026 – Uma pesquisa realizada pelo Greenpeace Brasil sobre o primeiro turno das eleições de 2026 indica que 38 candidatos com registros no Ibama foram eleitos. Essas figuras políticas acumulam um total de 78 infrações, resultando em R$ 30.728.101,61 em multas. Apesar dos registros negativos, 10 deles obtiveram crédito rural que soma mais de R$ 102,2 milhões durante o período de análise. Confira os dados completos aqui. 

Do total de infratores eleitos, a maior parte se encontra nas assembleias estaduais: são 20 deputados estaduais (52,6%), que somam 50 infrações. Ademais, há dois vice-governadores e um governador, cada um com uma infração registrada. Na Câmara dos Deputados, dez parlamentares foram eleitos, totalizando 16 infrações. No Senado, seis infratores ambientais foram eleitos, incluindo suplentes, com um total de dez infrações. Entre os partidos políticos, o Partido Liberal (PL) se destaca com nove representantes entre os infratores ambientais. 

Gabriela Nepomuceno, especialista em Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, comenta: “Se combinarmos os resultados da nossa pesquisa com análises recentes a respeito da composição do Congresso e sua agenda ambiental, perceberemos que as políticas socioambientais e os mecanismos voltados para o controle e fiscalização que visam reduzir o desmatamento e combater o garimpo ilegal estão sob grave ameaça”. 

Analisando os infratores que também receberam crédito rural: seis representantes obtiveram até R$ 5 milhões; três deles receberam entre R$ 6 milhões e R$ 16,2 milhões; enquanto um recebeu mais de R$ 45 milhões. É importante destacar que esses créditos são provenientes de recursos públicos e têm taxas de juros subsidiadas. 

A pesquisa do Greenpeace também aponta:

  • No contexto partidário, o PL lidera com nove eleitos entre os infratores ambientais; MDB e PSD vêm logo atrás com seis cada um; enquanto o PODEMOS possui quatro representantes;
  • No que tange aos estados brasileiros, Roraima e Tocantins se destacam como líderes na quantidade de representantes eleitos com cinco cada. O Pará vem em seguida com quatro (incluindo dois no cargo de Governador e Vice-governador), enquanto Mato Grosso do Sul possui três eleitos;
  • A predominância dos infratores é notável nas regiões Norte e Nordeste;
  • Dentre os mais de R$30,7 milhões em multas geradas por esses 38 representantes infratores eleitos, apenas uma pequena fração de 2,1% foi paga.

O Greenpeace Brasil adverte que políticos autuados podem promover cortes significativos no Ibama e ICMBio assim como nas agências estaduais responsáveis pela fiscalização ambiental. Essa situação pode resultar em alterações nas normas relacionadas à autuação. A associação desses partidos a bancadas parlamentares contrárias à proteção ambiental pode enfraquecer políticas essenciais como embargos e ações fiscais necessárias para proteger o meio ambiente.

Nepomuceno ressalta: “Com base na maneira como os partidos votaram nesta legislatura e na atuação da bancada extrema-direita no Parlamento — sempre alinhada aos interesses do agronegócio — temos motivos para temer um cenário sombrio. Os mecanismos destinados à proteção ambiental e as políticas para enfrentar a crise climática impactam diretamente nossas vidas diárias. Eles influenciam a disponibilidade hídrica, a adaptação das cidades às mudanças climáticas severas e ao combate ao desmatamento e incêndios florestais. Portanto, é essencial que incentivemos a escolha de líderes capazes de continuar as iniciativas que garantam a continuidade dessas políticas antes do segundo turno das eleições.” 

Metodologia

O Greenpeace Brasil analisou dados públicos provenientes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Banco Central do Brasil (Bacen).

Na avaliação das infrações consideradas foram incluídas aquelas multadas entre 22 de julho de 2008 até 31 de agosto de 2026. Para a análise dos financiamentos foram levadas em conta exclusivamente operações de crédito rural sem registro de desclassificação até esta mesma data.

Os “suplentes” foram contemplados apenas para cargos no Senado devido ao fato dos titulares selecionarem suas suplências durante as eleições senatórias.

Sobre o Greenpeace Brasil

A organização Greenpeace Brasil é uma entidade ativista sem fins lucrativos que promove a defesa do meio ambiente desde sua fundação em 1992. Ao lado daqueles que lutam por um mundo mais sustentável e igualitário, atua há mais de três décadas contra práticas nocivas ao meio ambiente que ameaçam as florestas.

By Ação Verde

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