Roteiros globais para combustíveis fósseis e preservação florestal são essenciais no combate à crise climática

A expectativa é que tanto os mapas do caminho sejam aceitos na COP31, com a previsão de implementação das suas metas através de uma governança inclusiva.

São Paulo, 03 de novembro – O Greenpeace Brasil comemora o lançamento dos Mapas do Caminho internacionais, realizado pela presidência brasileira da COP30 na terça-feira (03). Com a finalidade de guiar a diminuição da dependência mundial de combustíveis fósseis e o término do desmatamento e da degradação florestal até 2030, os documentos apresentam diretrizes essenciais para enfrentar a crise climática, servindo como incentivo para que os países desenvolvam planos em nível nacional.

Mapa do Caminho Internacional para Transicionar para Além dos Combustíveis Fósseis

O documento apresenta diversos cenários e ações voltadas para uma transição gradual, planejada e justa dos combustíveis fósseis. Ele considera o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, levando em conta as particularidades e capacidades dos diferentes países para realizar essa transição, reforçando assim a justiça climática.

“Os combustíveis fósseis são responsáveis por aproximadamente 80% das emissões globais. Portanto, é necessário eliminá-los gradualmente para que possamos estabilizar o clima. O lançamento do Mapa do Caminho Internacional para Transicionar para Além dos Combustíveis Fósseis não apenas reflete um grande esforço da Presidência da COP30, mas também é um passo fundamental para avançar com uma decisão já firmada na COP28, onde os países se comprometeram a realizar essa transição de forma justa e ordenada”, aponta Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace Brasil.

“Este Mapa do Caminho traz inovações significativas à discussão internacional ao incentivar que as nações criem seus próprios Mapas do Caminho Nacionais. Ele aborda a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e reformas fiscais necessárias para assegurar efetividade, justiça e financiamento durante a transição. Contudo, considerando o cenário internacional desafiador, o documento não estabelece metas claras nem requer a interrupção imediata da expansão dos combustíveis fósseis ou limitações à exploração de novas áreas como a Amazônia e a Margem Equatorial. A proteção de biomas sensíveis e territórios tradicionais não pode ser garantida enquanto persistir um modelo extrativista predatório”, complementa Pasquali.

Mapa do Caminho de Florestas para o Fim do Desmatamento Global

Este documento ressalta a importância e urgência da coordenação entre diferentes fóruns, setores e políticas que impactam a proteção global das florestas. É essencial que abranja desde os direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais até o incentivo à produção global de commodities livres de desmatamento.

“O Mapa do Caminho Internacional de Florestas é apresentado com a credibilidade de um governo brasileiro que alcançou sua menor taxa histórica de desmatamento. Este lançamento representa um esforço significativo da presidência brasileira da COP30 em agregar múltiplas contribuições e diálogos sobre as diversas iniciativas existentes.”

“Não há como combater o aquecimento global — que atualmente está acima do limite seguro de 1,5°C — sem proteger as florestas. Para isso se concretizar, é necessária uma ação coletiva e coordenada em âmbito global para pôr fim à destruição florestal com urgência. Contudo, o maior desafio começa agora: estabelecer um processo contínuo para implementar o mapa do caminho que assegure um foco político renovado nessa agenda enquanto acelera sua execução com participação ativa da sociedade civil, especialmente dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais”, conclui Carolina Pasquali.

Expectativas para a COP31

Com ambos os mapas sendo lançados às vésperas da COP31, marcada para iniciar no dia 9 na Turquia, espera-se que sejam bem recebidos pelos países participantes nesta conferência. A meta é que suas implementações sejam realizadas através de uma governança participativa.

Além disso, o Greenpeace aguarda que a COP31 convide todas as nações a desenvolverem e apresentarem seus próprios Mapas do Caminho Nacionais, assim como busque garantir financiamento adequado para que os países em desenvolvimento possam colocá-los em prática.

Sobre o Greenpeace Brasil

O Greenpeace Brasil é uma organização ambientalista sem fins lucrativos que atua desde 1992 em defesa do meio ambiente. Junto com todos aqueles que aspiram por um mundo mais sustentável e justo, vem lutando há mais de 30 anos contra governos, empresas e projetos que promovem a destruição das florestas.

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By Ação Verde

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