Greenpeace na Holanda processa JBS e interrompe assembleia de acionistas da gigante da carne

O Greenpeace na Holanda iniciou um processo legal contra a JBS, a maior produtora de carne do mundo, solicitando acesso a informações sobre os impactos que suas atividades causam no clima, no meio ambiente e nos direitos humanos. O objetivo é questionar judicialmente as práticas comerciais da empresa, que incluem um ambicioso projeto de expansão global avaliado em US$ 5-6 bilhões, sendo que cerca de metade desse investimento está direcionada à Nigéria.

No dia 30 de abril, uma carta formal foi enviada pelos advogados do Greenpeace Holanda à sede da JBS N.V. em Amsterdã. No documento, diversas infrações à legislação holandesa atribuídas à JBS foram destacadas, relacionadas às suas maciças emissões de gases do efeito estufa e ao histórico de danos ambientais e violações dos direitos humanos associados às suas operações. A carta expressa preocupações quanto ao fato de que a expansão planejada da JBS poderá acentuar ainda mais esses problemas, comprometendo as obrigações climáticas e de biodiversidade da companhia e infringindo o dever de cuidado exigido pela legislação holandesa, que demanda conformidade com o direito internacional dos direitos humanos.

Leia aqui a carta na íntegra

A nova legislação holandesa permite que se tenha acesso a dados mantidos por empresas para fins judiciais. Assim, o Greenpeace exige que a JBS forneça, em um prazo de três semanas, as avaliações existentes sobre os impactos climáticos, ambientais e sociais resultantes tanto de suas operações passadas quanto da futura expansão na Nigéria. Se não houver cumprimento dessa solicitação, o Greenpeace poderá buscar as informações através de documentos e testemunhos sob juramento dos altos executivos da JBS, o que poderia levar os irmãos Batista a depor em tribunal na Holanda.

JBS: Mantenha seus negócios sangrentos fora da África

<pNa mesma data, ativistas do Greenpeace interromperam a primeira assembleia de acionistas da JBS realizada na Holanda desde que a sede foi transferida para lá no ano anterior. Representantes vindos de toda a Europa invadiram a reunião no Hotel Sheraton, localizado no aeroporto Schiphol em Amsterdã, exibindo uma faixa com a mensagem "JBS: Keep Your Bloody Business Out of Africa”, ou seja, “JBS: Mantenha seus negócios sangrentos fora da África”.

Dentro do hotel, uma grande faixa medindo 10m x 15m com as fotos dos acionistas controladores da JBS, os bilionários brasileiros Joesley e Wesley Batista, foi estendida no átrio do local. Os manifestantes então adentraram na sala onde ocorria a assembleia, levando à suspensão imediata do evento.

Em novembro de 2024, a empresa anunciou um acordo com o governo nigeriano para investir US$ 2,5 bilhões ao longo de cinco anos na construção de seis unidades de processamento de carne. Organizações civis na Nigéria expressaram sérias preocupações sobre os riscos ambientais e sociais gerados pela pecuária industrial que ainda está se estabelecendo no continente africano. Até o momento, não há indícios públicos de que a JBS tenha realizado estudos sobre impacto ambiental ou social ou consultado comunidades locais e outras partes interessadas na Nigéria; além disso, tentativas da sociedade civil para obter informações via pedidos formais têm sido ignoradas.

“O crescimento do império da carne da JBS tem sido acompanhado por destruição ambiental significativa, emissões massivas de gases poluentes, escândalos relacionados à corrupção e graves violações dos direitos humanos. A empresa agora planeja exportar esse modelo prejudicial para outros países africanos. Essa expansão predatória não só perpetuará um aumento nas emissões nas próximas décadas como também pode causar danos irreversíveis ao meio ambiente e deslocar pequenos agricultores para beneficiar elites internacionais”, afirma Elizabeth Atieno, porta-voz do Greenpeace África.

Poluição, destruição e corrupção: A JBS tem muito a esclarecer

A trajetória do império da carne da JBS está marcada por devastação ambiental contínua e escândalos relacionados à corrupção e aos direitos humanos em meio à falta total de transparência. Por meio das suas relações comerciais na cadeia produtiva, a empresa tem sido frequentemente associada à destruição da Floresta Amazônica e ao manejo ilegal de gado em terras indígenas. Sua expansão descontrolada vai além do conceito tradicional de negócios; é uma das principais responsáveis pela crise climática atual e pelo colapso ecológico iminente.

No ano de 2025, a JBS transferiu sua sede de São Paulo para Amsterdã como parte dos esforços para listar ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A empresa foi advertida: “Se você opera em solo holandês, deve seguir as regras locais.” Embora acreditassem que mudar-se para a Europa lhes traria vantagens corporativas significativas, essa decisão acabou conferindo ao Greenpeace Holanda legitimidade para desafiar suas práticas obscuras nos tribunais holandeses.

Durante a assembleia dos acionistas da JBS mencionada anteriormente, o Greenpeace Brasil divulgou um dossiê intitulado “JBS: Cozinhando o Planeta”, reunindo uma série de reportagens e publicações sobre as atividades da empresa. Esse material revela como legislações são desrespeitadas em prol dos interesses empresariais enquanto florestas e comunidades são devastadas para sustentar o mercado global de carne. Na mesma ocasião, também foi realizado um protesto pacífico alertando como os lucros bilionários obtidos pela JBS são alcançados à custa do desmatamento e das mudanças climáticas. Ademais, o relatório revelou que até mesmo em 2025 ainda havia evidências indicando que sua cadeia produtiva continha bois originários de áreas embargadas ou territórios indígenas.

O Greenpeace trabalha incansavelmente investigando e denunciando crimes ambientais com o intuito de pressionar empresas a adotarem práticas sustentáveis que evitem danos ao clima e às florestas. Se você acredita na importância desse trabalho informativo e responsável, seu apoio é fundamental.
By Ação Verde

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