Qual é o impacto do Dia de Conscientização das Mudanças Climáticas?

As consequências da desigualdade na crise climática: falta de proteção e recuperação

Hoje é o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, e para falar de crise climática no Brasil é preciso falar de desigualdade.

Há quem durma ao som da chuva. E há quem sofra com as enchentes.

A desigualdade na distribuição dos impactos dos eventos climáticos no país é evidente. Uma pesquisa da Teto Brasil revelou que 86% das favelas e comunidades no Brasil enfrentaram ao menos um evento climático extremo no último ano. E, quando esses eventos ocorrem, a falta de infraestrutura adequada se torna mais evidente: 70% desses territórios não possuem abrigos de emergência, 60% não contam com obras de contenção e 70% não têm sistemas de drenagem.

Essa falta de infraestrutura não é aleatória, mas sim resultado de escolhas políticas que impactam diretamente quem tem acesso a proteção e políticas públicas e quem não tem.

No início de 2026, cidades como Juiz de Fora e Ubá (MG), Paraty (RJ) e outros locais sofreram com chuvas intensas, enchentes e grandes perdas para a população. A região de Juiz de Fora e Ubá registrou mais de 64 mortes causadas pelas enchentes, evidenciando o impacto direto da falta de investimento em prevenção e infraestrutura.

Para os moradores de periferias, a ausência de moradias seguras, drenagem adequada e políticas públicas eficazes torna as consequências dos desastres climáticos ainda mais devastadoras. A falta de acesso a infraestrutura adequada resulta em perdas materiais e financeiras que podem levar à endividamento e insegurança constante.

A recuperação daqueles que perdem tudo devido aos desastres climáticos também é marcada pela lentidão e desigualdade. Famílias afetadas pelas chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, por exemplo, ainda recebem um valor irrisório de aluguel social, que não é suficiente para cobrir as despesas básicas.

Diante desse cenário, é fundamental que a adaptação climática seja tratada como prioridade, não apenas em intervenções pontuais, mas sim como parte de uma política integrada que englobe moradia digna, proteção social, geração de renda e planejamento urbano.

Iniciativas como o projeto Corre de Quebrada, do Greenpeace Brasil, ganham destaque ao envolver moradores de periferias na luta contra a crise climática. Reconhecer e incorporar o conhecimento dessas comunidades nas políticas públicas é essencial para enfrentar os desafios causados pela desigualdade na crise climática.

Em meio a uma injustiça estrutural, a resposta deve ser coletiva, visando a construção de cidades mais justas e preparadas para proteger todos os seus habitantes, especialmente aqueles mais vulneráveis.

Faça parte do Corre de Quebrada
By Ação Verde

Novidades