Greenpeace Brasil sinaliza risco de projetos de lei que comprometem a supervisão ambiental na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (19)

Parlamentares buscam aprovar rapidamente propostas que comprometem a proteção ambiental, sem diálogo com a sociedade

São Paulo, 19 de maio de 2026 – O Greenpeace Brasil expressa preocupação com os projetos de lei que estão em discussão na Câmara dos Deputados e que podem ser votados nesta terça-feira (19). Segundo a organização, essas propostas representam um grande retrocesso para a preservação ambiental. Os textos visam reduzir a fiscalização ambiental, colocar biomas brasileiros em risco e favorecer interesses do agronegócio em detrimento da conservação socioambiental. Para o Greenpeace, a urgência na votação dessas medidas impede um debate técnico adequado e limita a participação da sociedade nas decisões que afetam o meio ambiente.

A Especialista em Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Gabriela Nepomuceno, declara: “O Congresso Nacional mais uma vez demonstra sua tendência à degradação do meio ambiente e dos direitos socioambientais da população, mesmo quando as votações deveriam focar em outros setores”. Ela acrescenta: “A agenda predominante do agronegócio não traz propostas que fortaleçam a agricultura sustentável e o agricultor, mas sim favorece aqueles que atuam fora da legalidade. É um roteiro de terror cujo desfecho é a destruição ambiental”.

Propostas na pauta para votação

  • PL 2564/2025Proíbe órgãos ambientais como o Ibama de realizar embargos remotos com base em imagens de satélite.

A prática de embargo remoto permite ao Ibama identificar desmatamentos ilegais e interditar áreas para impedir atividades ilícitas. Essa abordagem foi crucial para diminuir o desmatamento na Amazônia e outras regiões, especialmente em 2025. A limitação dessa capacidade dos órgãos ambientais representa um estímulo ao crime ambiental.

Atualmente, cerca de 50% dos embargos são realizados remotamente; portanto, restringir essa ferramenta seria um sério retrocesso tanto tecnológico quanto ambiental. 

  • PL 5900/2025Dá ao Ministério da Agricultura autoridade para barrar regulações ambientais sobre espécies exploradas comercialmente.

Esta nova proposta requer autorização prévia e obrigatória do Ministério da Agricultura para quaisquer atos relacionados a espécies vegetais, animais, aquícolas, florestais e outros organismos usados na produção. Assim, decisões sobre riscos ambientais, licenciamento e regulamentações passariam a depender de uma avaliação técnica vinculativa do ministério. Isso implica que atos administrativos como decretos e resoluções só poderão ser implementados com a aprovação do MAPA.

  • PL 364/2019Ameaça os campos nativos e outras formações não florestais no país.

A proposta permite a conversão dessas áreas para agricultura, pastagem e mineração, arriscando cerca de 48 milhões de hectares em regiões como o Pantanal, Pampa, Cerrado e Amazônia. Além disso, enfraquece as proteções da Mata Atlântica e incentiva uma expansão agropecuária descontrolada em favor dos interesses específicos da bancada ruralista e do setor de florestas plantadas.

Os campos nativos são essenciais para a recarga de aquíferos, proteção das nascentes, regulação climática e conservação do solo. Sua destruição aumenta os riscos de escassez hídrica, erosão, queimadas e fenômenos climáticos extremos.

“O setor agropecuário considera como avanço a aprovação de projetos que atacam a Constituição, fragilizam o controle dos órgãos ambientais e favorecem práticas ilegais e desmatamento. Não faz sentido celebrar um dia dedicado ao agro à custa da destruição ambiental. Estão operando como se acionassem um trator para aprovar esse pacote devastador que coloca em risco nossas vidas”, conclui Nepomuceno.

Sobre o Greenpeace Brasil

A organização Greenpeace Brasil é uma entidade ativista ambiental sem fins lucrativos que atua desde 1992 na defesa da natureza. Ao lado daqueles que lutam por um mundo mais sustentável, justo e pacífico, a organização tem se dedicado por mais de três décadas à proteção do meio ambiente através da denúncia contra governos, empresas e projetos que promovem a degradação das florestas.

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By Ação Verde

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