A gamificação, que se refere à transformação de conteúdos em uma experiência lúdica, se revela uma eficaz ferramenta educativa. Ao abordar temas escolares de forma divertida, ela capta a atenção dos alunos, mesclando aprendizado e entretenimento. Um exemplo disso é o jogo de cartas Super Frutas, que tem como base o famoso Super Trunfo e estimula o conhecimento acerca das frutas da Amazônia, permitindo comparações entre os teores de proteínas e carboidratos, além de apresentar curiosidades sobre cada fruta. O objetivo principal é conquistar todas as cartas, utilizando a “Super Fruta”, que neste caso é o açaí. Essa atividade é indicada para crianças a partir de 7 anos e pode ser jogada por equipes de 2 a 6 participantes.
O lançamento do jogo ocorreu no final do ano anterior e foi criado pelo biólogo Rafael Barty Dextro, atualmente cursando seu pós-doutorado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, localizado em Piracicaba. O baralho faz parte do Projeto Agrobiofor, que é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Esse projeto investiga a conexão entre a saúde do solo e a qualidade nutricional em sistemas agroflorestais na Amazônia, além de promover a conscientização sobre o potencial econômico, ambiental e nutricional das agroflorestas para a produção de frutas tropicais.
Desenvolvimento do jogo
Desde há muitos anos, Dextro tem colecionado jogos como Top Trump e Super Trunfo, que se baseiam na comparação entre diferentes itens. “Ao iniciar meu pós-doutorado sob a orientação da professora Tsai Siu Mui no projeto Agrobiofor, percebi a oportunidade de criar um jogo que utilizasse uma metodologia semelhante à do Super Trunfo para divulgar informações sobre as frutas tropicais cultivadas no Bioma Amazônico”, explica.
Como nos jogos originais, o Super Frutas permite aos jogadores comparar vários parâmetros presentes em cada carta. Isso inclui dados como valores energéticos (kcal), teores de proteínas e carboidratos (em gramas por 100g de fruta), além da produção nacional em reais referente ao ano de 2023, com base nas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo é conquistar todas as cartas dos adversários por meio de estratégia e atenção às melhores opções disponíveis em cada rodada. “É preciso avaliar quais frutas têm os melhores índices para garantir vitórias”, destaca Dextro.
O pesquisador também menciona a existência da “Super Fruta”, que não poderia ser outra senão o Açaí. Essa carta tem o poder especial de vencer automaticamente todas as cartas identificadas com a letra A. Com design gráfico elaborado por Rafael Dantas, as cartas também incluem um tópico chamado Curiosidade. “Para enriquecer o valor educativo do jogo, a professora Tsai sugeriu incluir uma seção dedicada às curiosidades sobre cada fruta”, relata Dextro. Como exemplo, ele cita a carta do Camapu, onde está escrito na seção Curiosidade: “Contém Fisalina D, um composto que estimula a função cerebral”.
Implementação do projeto
Um experimento piloto com o jogo foi realizado durante uma ação extensionista do Projeto Cena na Escola no município paraense de Tomé-Açu. A atividade ocorreu na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Antonio Brasil e contou com aproximadamente 1.500 alunos matriculados, incluindo turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Especial (EE).
“O jogo foi aplicado para um grupo aproximado de 80 estudantes com idades entre 14 e 17 anos, acompanhado por apresentações e um bate-papo informal sobre agroflorestas e a qualidade das frutas amazônicas”, relembra Dextro. Ele ressalta que os alunos reagiram positivamente ao jogo, reconhecendo sua dinâmica envolvente. Graças ao projeto Embaixadores da Ciência, o Super Frutas já foi reaplicado para diversas outras turmas na escola, ajudando na disseminação das informações contidas no jogo.
Por Claudia Costa | Jornal da USP – leia o texto completo aqui
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