Cafeeiros de Uganda se revitalizam com práticas de agricultura regenerativa

Na região montanhosa de Masaka, em Uganda, agricultores que cultivam café robusta estão experimentando um aumento significativo na qualidade e na quantidade da produção. Essa melhoria é resultado de um programa piloto que introduz práticas de agricultura regenerativa, visando mitigar os impactos das secas e da variabilidade nas chuvas. O cultivo do café é fundamental para a economia do país e sustenta inúmeras famílias nas áreas produtoras. Para promover a resiliência desses cultivos, o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), uma colaboração internacional dedicada a financiar iniciativas que combatem problemas ambientais globais, uniu forças com diversas organizações para desenvolver fazendas demonstrativas e capacitar os agricultores locais em técnicas regenerativas.

O projeto conta com a colaboração da maior e mais antiga exportadora licenciada de café em Uganda, além do apoio da Nespresso e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Juntas, essas entidades implementaram 30 “fazendas modelo”, onde os produtores tiveram a oportunidade de aprender na prática diferentes abordagens de cultivo regenerativo. Essas propriedades também introduziram variedades de café mais resistentes, permitindo que as mudas fossem posteriormente transplantadas para outras plantações, ampliando assim os benefícios gerados pela iniciativa.

A agricultura regenerativa abrange um conjunto diversificado de técnicas, que variam desde métodos simples, como o uso de serrapilheira, até práticas mais sofisticadas, como o cultivo de plantas de cobertura. No contexto das lavouras de café, essas abordagens são particularmente valiosas porque auxiliam na recuperação de solos tropicais carentes em nutrientes e atenuam os efeitos das chuvas intensas e dos períodos secos. Embora muitas vezes confundida com a agricultura orgânica, a agricultura regenerativa visa restaurar continuamente a saúde do solo, promovendo o cultivo de plantas cobridoras e a inclusão de espécies não alimentares que complementam a produção agrícola.

Essas técnicas contribuem para controlar a erosão do solo, reabastecem o nitrogênio e protegendo microrganismos contra a exposição direta ao sol. O plantio de árvores para sombra também fortalece esse processo ao preservar o solo não arado e aumentar o teor de matéria orgânica por meio da decomposição das folhas. Alguns agricultores integram gado entre as colheitas para simular interações naturais no solo e pastoreio, enriquecendo ainda mais o terreno através dos excrementos dos animais. Os resultados positivos já são evidentes entre os participantes do projeto. “A falta de chuvas ou chuvas fora do período certo tornaram-se ameaças sérias para nossa produção de café”, afirma Nakalisa Mary Fatuma, uma pequena produtora na região.

“Após começarmos a utilizar cobertura morta e plantar variedades resistentes à seca, nossas fazendas se tornaram muito mais resilientes. Meu café está mais vigoroso e promissor, assim como minha família.” A IUCN confirma que as observações feitas por Fatuma são compartilhadas por outros agricultores envolvidos no projeto. “Eles têm notado melhorias significativas na produtividade e na qualidade das colheitas, além de árvores mais saudáveis e uma maior estabilidade financeira.” Munanira Joseph também percebeu essa transformação. “Antigamente achávamos que precisaríamos conviver com a erosão”, comentou sobre sua experiência com as fazendas modelo. “Mas quando vimos como o solo se manteve intacto na área demonstrativa, todos se mostraram interessados em experimentar.”

Esse avanço nas práticas agrícolas ocorre em um cenário onde o mercado global do café enfrenta desafios crescentes. Nos últimos dez anos, os preços do café passaram por uma inflação superior à média geral dos preços, com anos especialmente complicados como 2022, quando o valor do café torrado subiu em dois dígitos. Com bilhões de pessoas consumindo café quase diariamente, aumentar a resiliência das colheitas é crucial para reduzir a volatilidade da produção e ajudar a controlar os preços elevados. Nesse contexto, o êxito das fazendas modelo em Masaka se destaca como um exemplo claro do potencial da agricultura regenerativa em fortalecer as produções agrícolas, recuperar solos degradados e facilitar uma adaptação das lavouras às mudanças climáticas.

By Ação Verde

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