Especialista esclarece os principais equívocos sobre a imunidade

Com o aumento da circulação de informações sobre saúde nas redes sociais, tornou-se comum a busca por maneiras de reforçar a imunidade. Clips que ensinam a fazer shots matinais, recomendam doses elevadas de vitamina C e sugerem o uso de ingredientes como própolis, alho, gengibre e limão, além de suplementos que prometem “proteger” o corpo contra gripes, resfriados e outras infecções, estão em alta.

No entanto, muitas dessas informações carecem de evidências científicas e podem criar uma falsa sensação de segurança, levando os indivíduos a negligenciar práticas realmente eficazes para prevenir doenças.

A médica infectologista Dra. Paula Pinhão aponta um erro comum: a crença de que existe um alimento, vitamina ou suplemento capaz de fortalecer rapidamente o sistema imunológico.

“O sistema imunológico não é algo que pode ser ativado instantaneamente por um shot ou uma vitamina. Ele resulta de uma série complexa de fatores biológicos e é influenciado pelos hábitos adquiridos ao longo da vida. Essa complexidade torna as soluções simplistas atraentes, mas elas não existem”, alerta a especialista.

É possível encontrar alimentos que reforçam a imunidade?

A profissional enfatiza que vitaminas, minerais e alimentos são cruciais para o bom funcionamento do organismo; no entanto, nenhum deles atua isoladamente como um “escudo” contra vírus e bactérias.

“Uma dieta balanceada é essencial para o funcionamento saudável do corpo. O problema surge quando algum alimento ou suplemento é promovido como se pudesse substituir hábitos saudáveis ou medidas comprovadas, como a vacinação”, complementa Dra. Paula.

Assim sendo, manter uma alimentação equilibrada é vital para a saúde geral, mas isso não implica que certos alimentos ou suplementos possam prevenir infecções quando consumidos em grandes quantidades ou sem orientação médica.

Mitos nas redes sociais sobre saúde

A infectologista aponta outro aspecto preocupante: a velocidade com que informações sem fundamentação científica se espalham nas plataformas digitais. Frequentemente, conteúdos gerados por pessoas sem formação na área da saúde são vistos como conselhos médicos, fomentando automedicação e o uso indiscriminado de suplementos em detrimento de estratégias comprovadas de prevenção.

“Há uma tendência em acreditar que se algo se tornou viral, deve ter alguma veracidade. Contudo, ciência não se mede por curtidas. A confiabilidade das orientações deve ser avaliada através de estudos robustos, revisões científicas e consensos entre especialistas”, afirma.

Como fortalecer o sistema imunológico com fundamentos científicos?

Segundo Dra. Paula Pinhão, promover um sistema imunológico forte depende mais da rotina diária do que de soluções rápidas. Ter boas noites de sono, manter uma dieta variada, praticar atividades físicas regularmente, controlar o estresse, evitar fumar e consumir álcool com moderação são as melhores maneiras respaldadas pela ciência para diminuir o risco de infecções.

“As pessoas buscam soluções extraordinárias quando a verdadeira proteção reside nas escolhas simples e consistentes do cotidiano”.

Desmistificando os mitos sobre imunidade

A seguir, Dra. Paula compartilha alguns dos principais mitos sobre imunidade que circulam nas redes sociais.

Mito 1: Shot de limão, gengibre e própolis fortalece a imunidade.
Não há evidência científica que comprove que essas combinações previnam infecções ou “protejam” o organismo”, esclarece a médica.

Mito 2: Quanto mais vitamina C eu consumir, mais protegido estarei.
A ingestão excessiva de vitamina C não aumenta a imunidade em pessoas saudáveis e pode até causar efeitos colaterais indesejados

Mito 3: Se eu tomar suplementos diariamente, dificilmente ficarei doente.
Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada nem hábitos saudáveis como sono adequado e vacinação. Devem ser usados apenas sob orientação médica”, orienta Paula.

Mito 4: Quem tem boa imunidade nunca adoece.
Até pessoas saudáveis podem contrair infecções. A diferença está na capacidade do organismo responder à doença e na menor probabilidade de desenvolver complicações graves

Mito 5: Produtos “naturais” são sempre seguros.
O termo natural não garante segurança. Plantas medicinais e suplementos podem provocar reações adversas e interagir com medicamentos

O que realmente influencia o sistema imunológico?

A infectologista também destaca algumas práticas respaldadas por evidências científicas que realmente afetam a imunidade.

Verdade: Dormir pouco compromete a resposta imune.
Dormir mal está associado ao aumento do risco de infecções e à diminuição da eficácia da resposta do organismo aos agentes infecciosos”.

Verdade: Estresse crônico impacta negativamente na imunidade.
Doses elevadas de cortisol prolongadas podem prejudicar o funcionamento adequado das células defensivas”, explica Paula.

Verdade: Vacinas permanecem sendo as melhores aliadas contra doenças infecciosas diversas.
A vacina “treina” o sistema imune para reconhecer microrganismos antes que eles causem doenças graves”.

A importância da informação para a saúde

No atual cenário em que vídeos curtos podem moldar decisões relacionadas à saúde, distinguir entre informação científica confiável e opiniões pessoais compartilhadas online se torna tão crucial quanto manter as vacinas atualizadas.

Dra. Paula Pinhão enfatiza que fortalecer o sistema imunológico não envolve receitas milagrosas ou promessas rápidas. “A ciência demonstra que a construção da imunidade ocorre diariamente. Não há atalhos para um organismo saudável; existe sim um caminho sólido composto por informação qualitativa, hábitos saudáveis e decisões fundamentadas em evidências. Isso é o que realmente protege as pessoas”, conclui.

By Ação Verde

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