Em um mundo marcado por pressa, tensão e crises frequentes, pequenos gestos de gentileza podem ter um impacto maior do que parece. Pesquisas revelam que ser gentil melhora a saúde, aumenta a felicidade e fortalece os laços sociais que sustentam comunidades.
O CicloVivo já ressaltou os benefícios de ser gentil, de acordo com pesquisas científicas. Hoje, trazemos as dicas de Jim Coan, professor de psicologia da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, sobre o tema. O texto de Jane Kelly foi publicado originalmente no site da instituição de ensino, confira abaixo:
Gentileza: é bom para você, é bom para o seu vizinho e é bom para a sua comunidade, na mesma medida. Na verdade, estudos mostram que a gentileza aumenta a felicidade, a saúde e os laços afetivos.
“Apoiar outra pessoa, seja oferecendo apoio emocional ou simplesmente sendo gentil com ela, tende a fazer com que as pessoas se sintam melhor e está até associado a resultados – fisiológicos e de saúde – que a maioria de nós diria serem o que se deseja para uma vida melhor”, diz Jim Coan, professor de psicologia da Universidade da Virgínia. “Ser gentil sempre traz benefícios. A gentileza se torna uma forma de conexão e um meio de fortalecer os laços que nos ajudam a sobreviver e prosperar”, completa.
Coan afirma que praticar a gentileza, seja ela grande ou pequena, é um golpe duplo para a sua saúde e para a saúde daqueles ao seu redor. Isso inclui os “laços fracos”, os relacionamentos casuais e os micro-relacionamentos que as pessoas formam.
“As pessoas costumam menosprezar a conversa fiada, considerando-a superficial”, afirma ele. “Mas não é. A conversa fiada e os laços fracos são realmente importantes. São essas conexões que temos com as pessoas da nossa comunidade – como o dono da cafeteria que frequentamos. Pequenos gestos de gentileza se tornam mais prováveis quando interagimos com as pessoas, e interagir muitas vezes significa bater um papo informal.”
Macacos em um avião
Coan menciona Sarah Blaffer Hrdy, uma antropóloga evolucionista e primatóloga estadunidense conhecida por sua influente pesquisa sobre a evolução social humana.
“Imagine embarcar em um avião. Você está embarcando em um avião que vai voar, digamos, de Dulles para Los Angeles. É um voo longo. Umas sete horas. Um avião lotado de pessoas que você não conhece”, hipotetiza o psicólogo.
É apertado. As pessoas estão apressadas. Você se senta ao lado de um estranho. Mas ainda assim você verá alguém em pé, abrindo espaço para que outra pessoa se sente ao lado. Você verá alguém ajudando outra pessoa a guardar a bagagem no compartimento superior. Você verá até mesmo alguém ignorando a possibilidade de bater a cabeça em outro passageiro enquanto este carrega sua mala para o depósito.
“Ela também nos pede para imaginar que nosso parente genético mais próximo, o chimpanzé, seja solicitado a fazer isso… e observa que, se fossem chimpanzés, talvez não houvesse muitos vivos quando o avião pousasse”, disse Coan, observando que esses comportamentos cotidianos são atos de gentileza que ajudam a todos a conviverem em harmonia.
Ser gentil em tempos de crise
“Quando ocorre uma calamidade aguda e imediata… as evidências esmagadoras em todo o mundo, em todas as culturas, mostram que as pessoas repentinamente se tornam as melhores versões de si mesmas”, diz Coan. “Você vê pessoas, reflexivamente e sem muita reflexão, tornando-se repentinamente muito gentis e cooperativas, até mesmo altruístas.”
Após os ataques de 11 de setembro, ele observou que muitas pessoas experimentaram um inesperado senso de união e se preocuparam umas com as outras, apesar da tragédia.
“O que muitas vezes passa despercebido é a frequência com que seguramos a porta para alguém, entregamos o que a pessoa pediu ou ela espera pacientemente no sinal de pare. Essas coisas acontecem o dia todo”, afirma.
“O principal a entender sobre a falta de gentileza é que ela é contrária à conexão”, enfatiza. “Ela dificulta os relacionamentos com os outros e com a comunidade em geral.” A pessoa que age de forma indelicada acabará sofrendo as consequências. A comunidade também sofre, pois uma comunidade mais forte corresponde a uma comunidade mais saudável, assim como indivíduos socialmente conectados são mais saudáveis, afirmou.
Dizer olá ou obrigado – as pequenas gentilezas – são “a água em que nadamos”, ressalta Coan, e plantam as sementes para uma comunidade próspera, seja ela um bairro, um condado, um estado ou um país.
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