A sensação de não ser notado, de passar um dia inteiro sem que ninguém perceba sua presença, é mais comum do que a maioria das pessoas reconhece. A jornalista Jennifer Breheny Wallace aborda essa questão relacionada ao senso de importância e valor que cada indivíduo atribui a si mesmo e recebe dos outros. Em seu novo livro, Mattering, Wallace compartilha anos de pesquisa sobre o tema, definindo o problema como uma lacuna: a diferença entre a valorização que você sente e a que realmente recebe. “Vivemos uma epidemia de solidão”, afirma ela. “Quando as pessoas se sentem irrelevantes, tendem a se retrair ou se isolar.”
A boa notícia apresentada pela autora é que o sentimento de importância é recíproco. As pessoas podem receber, mas também têm a capacidade de oferecer esse reconhecimento. Para encurtar essa distância, Wallace sugere práticas simples que promovem um senso de pertencimento e valorização. Uma dica é anotar ao final do dia uma pequena ação pela qual você fez a diferença na vida de alguém. Isso pode incluir ter ouvido um amigo em um momento difícil, feito um colega rir ou conduzido uma conversa desafiadora com sucesso. “Esse tipo de autoconsciência constrói nosso senso interno de importância”, destaca Wallace. O gesto não precisa ser grandioso; o essencial é reconhecer o que costuma passar despercebido.
Outra sugestão da autora é manter um arquivo com registros que demonstrem seu valor. Sempre que receber cartas de agradecimento, bilhetes manuscritos ou mensagens gentis, guarde esses itens. Wallace denomina esse conjunto como arquivo de impacto. Trata-se de uma caixa ou pasta onde se reúnem provas do efeito positivo que você exerce sobre as pessoas. “Nos dias em que você duvida do seu valor, pode revisar essas evidências e relembrar sua importância.” Essa prática ajuda a combater as narrativas negativas que surgem em momentos difíceis.
Além disso, a autora propõe que os agradecimentos sejam mais detalhados e específicos. Em vez de simplesmente agradecer pelo presente recebido, é importante reconhecer a qualidade da pessoa que motivou aquele gesto. “Em vez de dizer ‘Obrigada pela linda blusa’, você poderia expressar ‘Obrigado por ser sempre aquela amiga que me conhece tão bem’”, explica Wallace. O mesmo princípio se aplica quando alguém oferece conselhos: depois, compartilhe o que foi tentado, o resultado obtido e mostre como o tempo dedicado por essa pessoa foi valioso. Outra recomendação da autora é criar espaços significativos na comunidade, os quais ela chama de espaços de importância. Esses locais são fora do ambiente doméstico e profissional, onde você pode se tornar uma figura conhecida — como uma cafeteria ou parque frequentado regularmente — permitindo que as pessoas comecem a notar sua presença e perguntar por você.
Wallace ilustra isso com a experiência pessoal do seu pai. Após se aposentar, ele começou a almoçar semanalmente no mesmo restaurante, aprendendo os nomes dos funcionários e mostrando interesse genuíno por suas vidas. Quando precisou se ausentar por algumas semanas para cuidar de um familiar, sua ausência foi sentida. Ao retornar, recebeu um cartão de condolências assinado pela equipe; ele havia conquistado um espaço significativo na vida deles ao tratá-los com humanidade. Por fim, a autora sugere um exercício simples: imaginar que todas as pessoas com quem você interage estão portando uma placa invisível com a pergunta: “Eu importo?”. O desafio consiste em responder positivamente em cada pequena interação. Segundo Wallace, essa atitude retorna para quem a pratica. “Cada vez que reforçamos o valor dos outros, lembramos também do nosso próprio valor e da nossa capacidade de fazer diferença”, conclui ela. “Assim, ao lembrarmos aos outros da sua importância, reafirmamos quanto nós também importamos.”
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