Soja: Surpresas na Composição e o Impacto do Desmatamento

A soja é uma presença oculta em muitos produtos que você utiliza diariamente, como chocolate, cosméticos, óleos de cozinha e até mesmo na ração do frango que você consumiu no fim de semana. Por estar tão presente em nossa rotina, raramente nos questionamos sobre sua origem.

Contém soja. Pode conter desmatamento. Essa é a mensagem central de uma nova iniciativa do Greenpeace Brasil. Sem um compromisso definido por parte do setor para abolir o desmatamento, torna-se complicado assegurar que a soja presente em diversos itens não tenha origem em áreas devastadas da Amazônia.

Qual é a origem da soja que consumimos sem perceber?

Há um caminho que se liga diretamente à floresta, e isso acontece a cada compra feita, a cada prateleira visitada e a cada empresa que criou uma imagem associada à sustentabilidade. Muitas dessas empresas acabaram por desmantelar um dos principais mecanismos que garantiam essa palavra: a Moratória da Soja. O comércio de soja na Amazônia é controlado por grandes corporações – Cargill, Bunge, Amaggi e ADM estão entre elas – que definem se a soja disponível para o consumidor é ou não proveniente de áreas desmatadas.

Você tem esses produtos na sua lista de compras?

A soja aparece não apenas em alimentos como óleo e leite vegetal, mas também está presente de forma “invisível” em numerosos produtos processados, incluindo biscoitos e cosméticos. Seus subprodutos como óleo e lecitina de soja são amplamente utilizados na produção de ração animal, o que eventualmente resulta em carne, ovos e leite à sua mesa.

Alguns exemplos são bastante conhecidos:

Muitas vezes consumimos soja oriunda de áreas desmatadas da Amazônia sem nem nos darmos conta disso. Por isso é fundamental estabelecer um compromisso claro por parte do setor agrícola.

Quais mudanças ocorreram na proteção da Amazônia em relação à soja?

Durante 20 anos, um acordo ambiental conhecido como Moratória da Soja impediu a aquisição de soja cultivada em áreas da Amazônia que foram desmatadas após 2008. Esse mecanismo demonstrou eficácia ao comprovar uma redução significativa no desmatamento associado ao cultivo desse grão; a produção cresceu, as exportações aumentaram e o Brasil se tornou o principal produtor mundial de soja.
A Moratória mostrou ser viável produzir sem causar desmatamento, mas sempre foi alvo de críticas por aqueles interessados em facilitar práticas agrícolas predatórias. Nos últimos anos, essa disputa passou do campo para o cenário político.

Pelo movimento do agronegócio visando acabar com a Moratória, estados como Mato Grosso, Rondônia, Maranhão e Tocantins aprovaram legislações que eliminam incentivos fiscais para empresas com critérios ambientais mais rigorosos do que os exigidos pela legislação vigente. Além disso, o CADE iniciou uma investigação alegando que o acordo configura prática anticoncorrencial.

No início de 2026, as próprias empresas signatárias do acordo decidiram abandoná-lo. Cargill, Bunge, ADM e Amaggi – entre outras – que durante anos usaram a reputação da soja livre de desmatamento para acessar mercados exigentes cederam às pressões políticas e benefícios fiscais, abrindo mão do mecanismo que ajudou a consolidar essa vantagem competitiva.

Dessa forma, o compromisso com o desmatamento zero na cadeia produtiva da soja amazônica foi perdido após quase duas décadas.

As empresas devem ampliar seus compromissos ao invés de recuar. Cobre por mudanças!

O impacto da expansão da soja no Cerrado

Diferente da Amazônia, o Cerrado nunca teve um compromisso coletivo entre as empresas para prevenir o desmatamento. A expansão da soja na região do MATOPIBA é uma das principais responsáveis pelo desmatamento nesse bioma, que já perdeu cerca de 50% de sua vegetação nativa nas últimas décadas sem necessariamente promover avanços sociais ou econômicos significativos.

Um relatório do Greenpeace intitulado “Segure a Linha” (2018) sobre o MATOPIBA – considerada um exemplo modelo para o agronegócio e cultivo de soja englobando municípios no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – revelou que 58% dos municípios ainda apresentavam altos índices de pobreza e desigualdade acima da média estadual na época.

A Amazônia agora enfrenta sérios riscos após perder sua proteção no início de 2026.

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By Ação Verde

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