A proposta foi discutida na 70ª Reunião da Comissão Internacional Baleeira e ficou a apenas 4 votos de ser aprovada;
Países como Brasil, Argentina e Uruguai manifestaram apoio à criação de um santuário.
São Paulo, 2 de outubro de 2026 – A criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul não obteve aprovação novamente, conforme discutido na 70ª Reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB), que se encerrou nesta sexta-feira (2). A proposta, que recebeu 39 votos a favor, necessitava de 43 para ser aprovada. O Brasil busca essa aprovação há 25 anos.
Apesar da rejeição da proposta nesta votação, existem oportunidades para o avanço da proteção do Atlântico Sul por meio de acordos internacionais, como o Tratado Global do Oceano, conhecido também como Acordo BBNJ, que foi ratificado em 2025.
“Embora o resultado não tenha sido o esperado, isto não significa que a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul esteja encerrada. A CIB é um espaço complexo com dinâmicas políticas que nem sempre refletem a urgência das crises ambientais nos oceanos. Seguiremos fortalecendo a cooperação regional e utilizando todos os recursos disponíveis, incluindo o Tratado Global dos Oceanos, para assegurar a proteção das baleias e dos ecossistemas do Atlântico Sul”, afirma Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil.
“A conservação no Atlântico Sul não depende somente de uma decisão isolada. O Tratado Global dos Oceanos abre novas possibilidades de colaboração para a proteção em áreas fora da jurisdição nacional, evidenciando a necessidade de avançarmos simultaneamente por diversos caminhos na preservação dos oceanos. A primeira COP dos Oceanos será realizada em janeiro de 2027 e pode trazer novas perspectivas para a conservação da biodiversidade marinha”, completa Andrade.
Cenário da votação
Na conferência deste ano, países que historicamente defendem a proteção das baleias, como Finlândia e Luxemburgo, não estavam presentes, enquanto as nações opositoras mantiveram sua posição negativa.
O Greenpeace expressou preocupação com o fato de que a sessão da CIB revelou que a governança oceânica está sob forte influência de interesses políticos que podem comprometer acordos já estabelecidos, como a moratória global sobre a caça comercial de baleias.
Uma nova oportunidade para votar sobre a criação do Santuário poderá surgir na próxima reunião da Comissão Internacional Baleeira em 2028, embora ainda não tenham sido definidos data ou local.
A importância do Atlântico Sul para cetáceos
O Atlântico Sul desempenha um papel crucial no clima global ao ajudar no transporte de calor e energia por todo o planeta e ao abrigar uma biodiversidade única.
A proposta para estabelecer um santuário nesta região visa garantir um espaço seguro onde baleias e golfinhos possam viver livremente, realizar suas migrações e dar à luz em um ambiente protegido contra diversas ameaças crescentes, incluindo colisões com embarcações, mineração em águas profundas e exploração petrolífera.
As principais demandas incluem:
- Proibir a caça comercial e proporcionar áreas adequadas para recuperação de pelo menos 51 espécies de cetáceos;
- Oferecer proteção às baleias em risco de extinção, como as baleias-fin, cachalote, azul, sei, franca e minke;
- Reconhecer os cetáceos como mamíferos marinhos que habitam estas águas, incluindo baleias, golfinhos e botos.
